A minha escolha do roteiro nessa peregrinação pela Índia foi bem difícil no início, mas quando comecei a 'me mexer' ele acabou se fazendo por si.
Eu tinha algumas idéias iniciais, a saber: conhecer mais de perto o trabalho de Krishnamacharya (que conheci através do livro "O Coração do Yoga" e me apaixonei!) e também conhecer o Ashram de Swami Dayananda. Então entrei em ambos os sites e me inteirei das atividades. Até então minha previsão era ir para a Índia no meio de setembro... mas quando escrevi para o Krishnamacharya Yoga Mandiram perguntando sobre um curso em dezembro, eles me chamaram para fazer o curso "The Heart of Yoga" em setembro!! Aí dá-lhe correria para conseguir mudar a reserva da passagem por um preço acessível, e aí a minha querida amiga Silvinha (da High Performance) foi crucial. Bom, então estou embarcando em 27/08/2012 para Chennai, no sul da Índia. Como chegarei no dia 29/08, e o curso começa no dia 01/09, nesse intervalo vou a Tirupati, conhecer o Templo de Venkateswara, onde vou pagar uma promessa por ter conseguido fazer essa viagem...
Passo o mês de setembro em Chennai, fazendo o curso. Depois pego um trem e vou atravessar a Índia até Rishikesh, onde serei abençoada por estar no Ashram de Swami Dayananda num período onde o próprio Swami estará lá. Farei lá um curso de vedanta pelo telão e um de Iyengar Yoga teórico/prático.
Daí vou conhecer algumas das cidades mais sagradas da Índia: Varanasi (5 dias), Allahabad (1 dia), Vrindavna -a cidade onde Krishna nasceu e cresceu (10 dias).
Depois disso, como ninguém é de ferro, terei o 'momento turístico' da viagem e vou conhecer o Taj Mahal, em Agra. Como essa construção foi feita por amor, esse momento da minha viagem também será dedicado ao meu marido, que está sendo crucial para que a mesma aconteça (não só em termos financeiros - ele que conseguiu o empréstimo para eu comprar a passagem, como também e principalmente, não apenas 'aceitando' a minha viagem, como também 'entendendo' a necessidade da mesma).
De Agra volto para Rishikesh, onde farei mais um curso no Ashram Parmarth Niketan, até o qual cheguei através de um dos muitos blogs que li nesse último mês.
Então sigo para Amritsar, onde passarei 10 dias imersa na cultura e ensinamentos dos Sikhs.
Após esse período volto para Delhi e depois de 3 meses e 18 dias de peregrinação embarco de volta ao Brasil.
Para saber mais detalhes, dê uma olhada na planilha abaixo...
Este é um blog que se propõe a falar de Yoga. Mas não um Yoga que vemos distantes de nós, como algo apenas para grandes mentes iluminadas... Mas de um Yoga para todos, universal, do dia-a-dia e acessível. Sem distorções da sua essência, mas também sem 'floreamentos' que tornem difícil seu entendimento. Afinal, Yoga para valer é aquele que se vive sempre e não apenas aquele que se estuda/pratica em ocasiões e situações especiais.
domingo, 22 de julho de 2012
A PESQUISA E OS COSTUMES (e nossa mania de julgá-los!)
Além de definir o roteiro, quando vamos para um país tão diferente do nosso, é importante pesquisar muito, para não ferir os costumes locais e também para não sermos passados para trás.
Sim, é isso mesmo! Não é porque a Índia é o berço da Humanidade e de toda a Espiritualidade que conhecemos, que não estamos sujeitos a taxistas desonestos, a roubos, etc. Como diz um antigo ditado muçulmano: "confie em Deus, mas amarre seu camelo"...
Voltando à minha pesquisa sobre a Índia e seus costumes (nada relacionado ao Espiritual), encontrei alguns blogs muito legais, mas também encontrei muita intolerância, muita dificuldade de enxergar a nós mesmos no outro... como uma senhora brasileira, dizendo inconformada que onde já se viu as pessoas na Índia "viverem no meio de tanta sujeira e prostituir suas crianças, que ela jamais viveria num país assim..." só que se esquece que essa é a situação de muitos lugares no Brasil. O nordeste brasileiro, por exemplo, é um dos maiores pontos mundiais de turismo sexual, onde as crianças são as mais procuradas...
A realidade é que estamos sempre criticando o outro, o diferente de nós, como se sempre a "nossa verdade" fosse mais verdadeira que a "verdade do outro"...
Claro que injustiça é injustiça em qualquer lugar, mas em se tratando de costumes, sempre é bom conhecer a cultura primeiro e ver de onde veio tudo, antes de simplesmente criticar sob o nosso ponto de vista.
Quer um exemplo bem simples? Se você simplesmente analisar a seguinte frase: "os indianos não usam papel higiênico" (o que é verdade) você vai achar que os indianos são imundos. Mas a verdade é que eles não usam papel higiênico porque se lavam após fazer suas necessidades, ou seja: muito melhor que nós, que só 'espalhamos' a sujeira em nós mesmos e ainda entupimos o Planeta de papel contaminado!
O próprio sistema de castas se tornou algo extremamente injusto e repressor (tanto que o próprio governo 'tenta' acabar com ele), porque assim como em praticamente todo país do mundo, lá também a religião se tornou um meio de controlar o povo... mas quando ele surgiu era algo que fazia todo sentido!
O que estou querendo dizer é para apenas prestarmos atenção às nossas atitudes e julgamentos... antes de julgar aquilo que nos choca, ver o quanto somos iguais e lembrar que tudo isso o que vemos faz parte do universo do personagem...
Lembrem-se que Yoga é isso: primeiro estar consciente o tempo todo, para perceber a nossa atitude de julgar sempre e já 'brecá-la' antes que aconteça. E segundo: enxergar além da ilusão que nos cerca.
Sim, é isso mesmo! Não é porque a Índia é o berço da Humanidade e de toda a Espiritualidade que conhecemos, que não estamos sujeitos a taxistas desonestos, a roubos, etc. Como diz um antigo ditado muçulmano: "confie em Deus, mas amarre seu camelo"...
Voltando à minha pesquisa sobre a Índia e seus costumes (nada relacionado ao Espiritual), encontrei alguns blogs muito legais, mas também encontrei muita intolerância, muita dificuldade de enxergar a nós mesmos no outro... como uma senhora brasileira, dizendo inconformada que onde já se viu as pessoas na Índia "viverem no meio de tanta sujeira e prostituir suas crianças, que ela jamais viveria num país assim..." só que se esquece que essa é a situação de muitos lugares no Brasil. O nordeste brasileiro, por exemplo, é um dos maiores pontos mundiais de turismo sexual, onde as crianças são as mais procuradas...
A realidade é que estamos sempre criticando o outro, o diferente de nós, como se sempre a "nossa verdade" fosse mais verdadeira que a "verdade do outro"...
Claro que injustiça é injustiça em qualquer lugar, mas em se tratando de costumes, sempre é bom conhecer a cultura primeiro e ver de onde veio tudo, antes de simplesmente criticar sob o nosso ponto de vista.
Quer um exemplo bem simples? Se você simplesmente analisar a seguinte frase: "os indianos não usam papel higiênico" (o que é verdade) você vai achar que os indianos são imundos. Mas a verdade é que eles não usam papel higiênico porque se lavam após fazer suas necessidades, ou seja: muito melhor que nós, que só 'espalhamos' a sujeira em nós mesmos e ainda entupimos o Planeta de papel contaminado!
O próprio sistema de castas se tornou algo extremamente injusto e repressor (tanto que o próprio governo 'tenta' acabar com ele), porque assim como em praticamente todo país do mundo, lá também a religião se tornou um meio de controlar o povo... mas quando ele surgiu era algo que fazia todo sentido!
O que estou querendo dizer é para apenas prestarmos atenção às nossas atitudes e julgamentos... antes de julgar aquilo que nos choca, ver o quanto somos iguais e lembrar que tudo isso o que vemos faz parte do universo do personagem...
Lembrem-se que Yoga é isso: primeiro estar consciente o tempo todo, para perceber a nossa atitude de julgar sempre e já 'brecá-la' antes que aconteça. E segundo: enxergar além da ilusão que nos cerca.
O INÍCIO...
(escrito originalmente em 30/04/2012, durante o Retiro "O Yoga de Krishna")
Sempre desejei ir para a Índia... sim, mas apenas desejei , mas com 'd' minúsculo.
Porém há alguns anos esse desejo minúsculo se tornou um chamado que rasga minha existência a cada dia...
Atravez do contato mais próximo com o Marco (Schultz) no ano passado, vi que era chegada a hora e planejei ir neste ano (2012).
Mas, como sempre o personagem tentando nos sabotar: cada vez mais trabalho, cada vez mais gente dependendo do meu esforço e uma situação complicada de doença na família, me impediram de dar andamento à qualquer preparação logística para a viagem...
Como será uma viagem longa, de quase 4 meses de peregrinação, tomei a decisão mais lógica: se não dá tempo de planejar, então NÃO VOU!
Tudo muito aparentemente bem resolvido... até na palestra de hoje de manhã, quando o Marco (que sempre consegue bagunçar minha vida!) me deu um soco na boca do estômago, dizendo: "se tu tem que ir irmão, vai! Pára de se preocupar com a lojistica e outras coisas, se tu tem dinheiro ou não...!"
Volta o conflito...
E ao cantar "Jesu Christaya Govinda" meu coração berrou mais alto que a cantoria: 'EU VOU'!
E agora?
Eu vou, mas como ficam minhas responsabilidades aqui? E o que são responsabilidades?
É hora de trazer para o trabalho o que aplico na minha vida, de que as coisas vão acontecer como têm que acontecer?
E escrevendo aqui, me dou conta de que essa situação se coloca para me forçar a desapegar do controle na última esfera onde ainda (inconscientemente) acho que o tenho: o trabalho.
E creio que assim me liberto mais uma vez...
E VOU!
Sempre desejei ir para a Índia... sim, mas apenas desejei , mas com 'd' minúsculo.
Porém há alguns anos esse desejo minúsculo se tornou um chamado que rasga minha existência a cada dia...
Atravez do contato mais próximo com o Marco (Schultz) no ano passado, vi que era chegada a hora e planejei ir neste ano (2012).
Mas, como sempre o personagem tentando nos sabotar: cada vez mais trabalho, cada vez mais gente dependendo do meu esforço e uma situação complicada de doença na família, me impediram de dar andamento à qualquer preparação logística para a viagem...
Como será uma viagem longa, de quase 4 meses de peregrinação, tomei a decisão mais lógica: se não dá tempo de planejar, então NÃO VOU!
Tudo muito aparentemente bem resolvido... até na palestra de hoje de manhã, quando o Marco (que sempre consegue bagunçar minha vida!) me deu um soco na boca do estômago, dizendo: "se tu tem que ir irmão, vai! Pára de se preocupar com a lojistica e outras coisas, se tu tem dinheiro ou não...!"
Volta o conflito...
E ao cantar "Jesu Christaya Govinda" meu coração berrou mais alto que a cantoria: 'EU VOU'!
E agora?
Eu vou, mas como ficam minhas responsabilidades aqui? E o que são responsabilidades?
É hora de trazer para o trabalho o que aplico na minha vida, de que as coisas vão acontecer como têm que acontecer?
E escrevendo aqui, me dou conta de que essa situação se coloca para me forçar a desapegar do controle na última esfera onde ainda (inconscientemente) acho que o tenho: o trabalho.
E creio que assim me liberto mais uma vez...
E VOU!
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